Active Record em: Como adicionar comportamento as suas associações

Posted by Roger Leite on maio 19, 2010

Qualquer um que comece a desenvolver com Active Record (AR), minha primeira recomendação é, para tudo e leia:  A Guide to Active Record Associations ou O Guia de Associações do Active Record. O guia é bem completo, e descreve muito bem os tipos de associações que estão disponíveis no AR.

Association Proxy, #wtf !

As associações:

  • belongs_to
  • has_one
  • has_many
  • has_and_belongs_to_many

Quando usadas, adicionam alguns métodos (veja Detailed Association Reference). Por exemplo, ao declarar uma associação belongs_to, o model “ganhará” os seguintes métodos:

  • association(force_reload = false)
  • association=(associate)
  • build_association(attributes = {})
  • create_association(attributes = {})

Onde association, será substituído pelo nome da associação. Exemplo retirado do guides:

class Order < ActiveRecord::Base
   belongs_to :customer
end

Cada instância de Order, conterá os métodos:

  • customer
  • customer=
  • build_customer
  • create_customer

O association proxy, é o objeto que faz a ligação do objeto que contém a associação, conhecido como owner, e o objeto associado, conhecido como target.

Legal e daí !?!

Graças ao association proxy, ao declarar uma associação, podemos extendê-la e adicionar comportamentos “customizados”. No guia, é citado como Association Extensions. O código de exemplo abaixo, está no github em random-samples.

Para exemplificar, vamos criar um modulo que adiciona o comportamento de uma galeria a qualquer coleção.

module GalleryColletion
 
  def current=(curr = nil)
    @current, @index = nil
 
    if curr.nil?
      @current = collection.first
      @index = 0
    else
      collection.each_with_index do |item, index|
        if item.id.to_i == curr.to_i
          @current = item
          @index = index
        end
      end
    end
    @current
  end
 
  def current
    @current
  end
 
  def position
    @index + 1
  end
 
  def previous?
    return false if @index.nil?
    !!(@index - 1 >= 0)
  end
  def previous
    collection[@index - 1] if previous?
  end
 
  def next?
    return false if @index.nil?
    !!(@index + 1 < collection.size)
  end
  def next
    collection[@index + 1] if next?
  end
 
  private
 
  def collection
    proxy_owner.send(proxy_reflection.name)
  end
 
end

Gallery Collection

Note que o modulo está na pasta lib, logo, a pasta tem que ser adicionada no path via config/environment.rb.

Para extender a associação, declare:

class Article < ActiveRecord::Base
  has_and_belongs_to_many :images, :extend => GalleryColletion
end

Article model, Image model aqui.

Agora para navegar entre as imagens, você pode usar:

a = Article.first
a.images.current = 1 #1 e o Image.id que deseja selecionar
a.images.current
a.images.position
a.images.next?
a.images.next
a.images.previous?
a.images.previous

Caso esteja com coragem, baixe o projeto e veja rodando.

Dúvidas, sugestões, algum “case” de sucesso, comente!

TPW – Testando sistemas legados: manipulando dependências 3

Posted by Rodrigo Panachi on fevereiro 19, 2009

Pela definição de Michael Feather, código legado é código sem testes! Não importa se o código foi escrito semana passada ou alguns anos atrás. Qualquer manutenção será de difícil entendimento por outra pessoa e não haverá garantias de seu funcionamento. Uma vez que não há “controle”, é mais difícil rastrear as alterações; pior do que uma nova funcionalidade que não funciona, é uma funcionalidade antiga que começa a falhar. Este é um risco que um desenvolvedor não pode correr!

Não altere código legado até que seja possível testá-lo

Um dos problemas mais comuns em sistemas legados é a interdependência de classes, ou seja, o alto acoplamento, que sempre está ligado com a baixa coesão. Se estes termos são difíceis de entender, pense em acoplamento como sendo o grau com que as classes referenciam umas as outras e coesão o quanto uma classe está focada em realizar suas responsabilidades.

Para que seja possível testar o comportamento de uma classe “acoplada”, o comportamento de suas dependências precisa ser simulado. Isto normalmente é feito através de objetos falsos, ou mocks, que são injetados na instância da classe em questão. Este padrão é conhecido como Inversão de Controle e Injeção de dependência, onde o controle sobre as dependências da classe são delegados à outro objeto, ou normalmente um container de objetos, responsável por injetar as dependências nas instâncias das classes. Simples, não?! Mas isso será detalhado em outro post…

Voltando para os testes, no post anterior começamos a organizar o projeto automatizando o build e centralizando a execução dos testes para evitar que fiquem “soltos” pelo código. Agora vamos nos concentrar em escrever os casos de teste, refatorando o necessário para lidar com as dependências das classes.

Partindo da premissa que o projeto não possuí nenhum framework de inversão de controle, utilizaremos um certo “padrão” que permite manipular as dependências de uma classe por meio de herança, sem alterar seu comportamento original. A idéia é resolver as dependências da classe através de getters protegidos, que podem ser sobrescritos em uma classe filha no momento do teste. Isso permite que, na classe estendida, o método sobrescrito retorne um objeto mock, por exemplo, com o comportamento esperado para o teste.

Vamos tomar como exemplo, uma classe simples com algumas dependências e responsável por encapsular algumas regras de negócio referentes à Estoque.

public class EstoqueLogic {
    public boolean verificaDisponibilidade(Produto produto, Integer quantidade) {
        EstoqueDAO dao = new EstoqueDAO();
        Estoque estoque = dao.localizaProduto(produto.getCodigo());
        return estoque.getQuantidade() >= quantidade;
    }
}

Da forma como esta classe foi escrita, é impossível testar a regra de disponibilidade independentemente, pois depende do objeto EstoqueDAO para localizar as informações necessárias para o método. Mas com um pequeno refactoring, a responsabilidade de resolver a dependência EstoqueDAO passa a ser responsabilidade da própria classe Estoque:

public class EstoqueLogic {
    public boolean verificaDisponibilidade(Produto produto, Integer quantidade) {
        EstoqueDAO dao = getEstoqueDAO();
        Estoque estoque = dao.localizaProduto(produto.getCodigo());
        return estoque.getQuantidade() >= quantidade;
    }
    protected EstoqueDAO getEstoqueDAO() {
        return new EstoqueDAO();
    }
}

Desta forma, é possível “injetar” um objeto que simule a dependência do EstoqueDAO estendendo a classe e sobrescrevendo o método getEstoqueDAO() para retornar a instância desejada. O teste ficaria mais ou menos assim:

public class EstoqueLogicTest {

    public void testVerificandoDisponibilidadeDeUmProduto() {

        //Criando o objeto EstoqueDAO mock, simulando o comportamento desejado
        final EstoqueDAO estoqueDAOMock = new EstoqueDAO() {
            @Override
            public Estoque localizaProduto(String codigo) {
                Produto produto = new Produto();
                produto.setCodigo(codigo);
                Estoque estoque = new Estoque();
                estoque.setProduto(produto);
                estoque.setQuantidade(5);
                return estoque;
            }
        };

        //Sobrescrevendo o método getEstoqueDAO para retornar o Mock
        EstoqueLogic logic = new EstoqueLogic() {
            @Override
            protected EstoqueDAO getEstoqueDAO() {
                return estoqueDAOMock;
            }
        };

        //Definindo o teste e executando
        Produto produto = new Produto();
        produto.setCodigo("123456");        

        boolean estaDisponivel = logic.verificaDisponibilidade(produto, 10);
        assertTrue(estaDisponivel);

        boolean naoEstaDisponivel = logic.verificaDisponibilidade(produto, 2);
        assertTrue(naoEstaDisponivel);
    }
}

O método getEstoqueDAO() da classe EstoqueLogic foi sobrescrito para retornar o objeto estoqueDAOMock com as informações necessárias para o teste, ou seja, o comportamento das dependências foi simulado, possibilitando que o teste ficasse concentrado apenas da classe Estoque.

Elimine as dependências e teste onde os bugs estão!

Este padrão fornece apenas uma maneira de lidar com as dependências das classes para escrever testes. A dica aqui é manter o foco: defina apenas testes para as funcionalidades que estiver alterando e que exercitem pontos críticos e/ou regras de negócio. Então, refatore apenas as classes necessárias para simular e validar o fluxo destes testes, nem que seja apenas seus “contratos“. Não há necessidade de escrever testes muito granulares nem alterar todas as classes de um sistema legado.

No caso de classes com muitas dependências, o melhor é refatorá-la, separar as responsabilidades e testá-las individualmente. Para classes com dependências de Utils e/ou muitas chamadas à métodos estáticos, uma estratégia parecida pode ser utilizada. Mas estes são assuntos para os próximos posts. Acompanhem!