Frequently Asked (by me) Questions, parte II 5

Posted by Humberto on maio 27, 2008

Prosseguindo com a série de perguntas que não querem calar, desta vez com um enfoque em RH & correlatos. Já com sugestões do respeitável público! Continuem comentando. A intenção é catalogar tosquices de comportamento encravadas no nosso cotidiano.

  1. Por que “anos de experiência” são tão importantes nos classificados de emprego?
    As profissões de informática já existem há décadas, e existe um grande histórico de coisas que deram certo e outras que nem tanto. Entre essas últimas, persiste uma forma garantida de contratar gente inepta, ao mesmo tempo em que aliena bons profissionais: a temível “experiência comprovada” em alguma coisa! Não importa se o candidato trabalhou uma vez por mês ou 16h por dia com a tal tecnologia durante todo o tempo requerido, ou se ele trabalhou com algo similar e não terá dificuldade, ou se consegue tranqüilamente ficar craque no tal requisito em duas semanas. Competência e experiência se confundem de forma surreal. É tão difícil assim avaliar aptidões?
  2. Se certificações são tão inúteis, por que fazem tanto sucesso entre candidatos e recrutadores?
    Existe um debate acalorado sobre a utilidade/qualidade das certificações como forma de filtro de candidatos a emprego. As empresas não abrem mão de exigir algum diploma, pois a oferta está grande. Os candidatos, por sua vez, fazem sacrifícios para colocar uma estrelinha a mais no CV, pois a concorrência está grande. E na prática, quando pintar um problema, tanto o profissional ultra-graduado quanto o humildezinho vão recorrer a dois recursos: (1) capacidade de raciocínio e (2) Google. Quem tira proveito disso tudo além das empresas de treinamento?
  3. Por que contratadores dificultam o acesso à internet por parte dos contratados? by peczenyj
    Será que quem contrata acha que o cara vai ser mais produtivo se ficar longe do GMail, MSN, Terra Esportes, 1Up4Dev? Sei lá. Eu achava que as empresas contratavam pessoas para que elas atingissem determinados objetivos, e não para que produzissem código ininterruptamente, sem “distrações”. Mas pode ser que, para elas, a produtividade seja um número, não um valor.
  4. Qual é o sentido de se impor políticas de segurança inócuas? by miguel
    Há quem se sinta seguro contratanto dummies quaisquer para implementar filtros de firewall e fazer papel de polícia, bloqueando pen drives e colocando a impressora pra funcionar só das 8 às 18h. Missão: racionalizar o uso dos recursos de trabalho! Aumentar a segurança! Impedir vazamento dos fontes! Ao mesmo tempo, relaxam no recrutamento e logo a empresa vai estar infestada de pessoas que pareciam super-bem-intencionadas, mas vão passar o dia vendendo muamba no Mercado Livre através de um proxy russo. Ou emporcalhando os preciosos fontes, o que é bem pior que roubá-los.
  5. Por que contratados e contratadores gostam de se tratar como empregados e patrões, mesmo em condições “PJ”?
    É fato inegável que a carga escorchante de tributos incidentes sobre a folha de pagamento leva as empresas a procurarem alternativas. Invariavelmente elas sub-contratam outras empresas para que, estas sim, se virem com o problema da mão-de-obra. Mas alguém já viu isso acontecer pra valer? O que existe é um local de atividade, um horário de trabalho, um salário, e cara feia se você quiser atender outro “cliente”. Os contratados não agem como empresários, embora paguem caro para o serem. E parece que ninguém se incomoda com o teatrinho patrão-empregado.
  6. Qual a lógica em se cobrar por hora e não ganhar por hora?
    Os iniciantes começam com 10 ou 12 reais. Os júniores podem sonhar com o dobro disso. Os plenos estão na faixa dos 30 ou 35. E para os sêniores, o céu é o limite! Mas, curiosamente, quase todos trabalham 160 horas por mês. Quero dizer, são pagos por 160 horas trabalhadas no mês, recorrendo talvez a um banco de horas (muitas vezes fictício) quando a conta estoura. Ainda assim, freqüentemente gostamos de calcular nossos rendimentos pelo valor-hora, sonhando que estaríamos quase ricos se as contas batessem. 160 horas, my ass.
  7. Como se enquadram projetos temporários nas variantes do Agile? Ou: posso ser free-lancer e agile ao mesmo tempo?
    Esta pergunta não é irônica (é, as outras pretendiam ser). É uma dúvida que eu tenho de verdade. Não sou expert em Agile/Scrum/XP/etc, e lendo a respeito dessas formas de trabalho, às vezes acho difícil compatibilizar a idéia de contrato temporário com desenvolvimento incremental sem tempo para terminar. Agile, por natureza, contra-indica prazos precisos. O contrato temporário, por natureza, baseia-se no inverso. Gostaria de entender melhor como essa situação já se resolveu na vida real.

Frequently Asked (by me) Questions, parte I 7

Posted by Humberto on maio 26, 2008

Um post no estilo “remoendo coisas que passam pela minha cabeça”. À medida em que continuarem passando, aumento a FAQ.

  1. Por que se fala mais de processos e ferramentas do que de indivíduos e interações?
    O item 1 do manifesto agile não me parece tão professado quando se observa a quantidade de informação dedicada a sistematizar — isto é, pôr em um processo — as alternativas agile. É da natureza do engenheiro colocar tudo em um diagrama?
  2. Por que tanta gente (incluindo eu) prefere reclamar do emprego ao invés de arrumar coisa melhor para fazer?
    Parece haver uma terra prometida onde os projetos não atrasam, os clientes estão sorrindo, os chefes têm bom senso e os salários são muito bons. Lá você vai trabalhar quatro dias por semana e tem um andar com mesas de sinuca. Você acha que merece trabalhar lá, mas se conforma com “a situação”, que “é assim mesmo”, e ainda cobra pouco por isso.
  3. Como metodologisificar* os projetos concebidos em erro?
    Imagine o seguinte: o cliente precisa cumprir uma meta, não vai conseguir e convenceu você a levar a culpa tocar o projeto. Não foi difícil te convencer, pois você precisa da fatura. Qual metodologia vai te salvar? Em casos assim, é sempre erro de negociação ou o projeto pode ser metodologizado* direito?

    *Dá pra sentir o quanto eu gosto da palavra metodologia

  4. Por que é tão difícil segurar gente boa na equipe?
    Provavelmente o seu talentoso colega vai trabalhar num lugar que oferece praticamente as mesmas CNTP para a proliferação de programadores medíocres: projetos mal geridos, chefes acomodados, clientes insanos e café ruim. Tudo por 1 ou 2 reais a mais à hora. Por que tantas empresas insistem em tratar programador como commodity? (Os signatários do blog já viram pessoas sendo pagas para dizer isso.)
  5. Por que é tão difícil mandar os incompetentes embora?
    Qualquer pessoa que faça a mesma coisa do mesmo jeito há mais de um ano está acomodada. Uma empresa que aceita um recurso desses, também. Desconfio que quando ela hesita em mandar incompetentes embora alegando “perda de conhecimentos esclerosados acumulados”, ela quer dizer “somos incapazes de fazer avaliação profissional objetiva”. Engraçado: cadê o programador-commodity nessas horas?
  6. Existe uma palavra melhor para iteração?
    Essa palavra é muito pedante. Só os iniciados sabem do que se trata, e os demais ficam pensando em “interação”. Que, na boa, pode muito bem se referir à mesma coisa. Não estou falando de “iteração de loop/enumeração/lista”, onde a tal palavra é indispensável. Agora, falando de projetos, com gente normal (não-programadora), que se fale então em ciclo, passo, ação, ou interação mesmo — preciosismo pra quê, meu deus.
  7. Por que as empresas acreditam em antivírus?
    Vou ter que interromper a escrita das FAQs pois o antivírus começou a executar sua rotina diária. Ele não vai encontrar nenhum vírus mas a empresa vai dormir tranqüila. Enquanto isso, estou numa máquina Windows com direitos de admin local e o único browser que posso usar é o Internet Explorer 7. Paciência.