Arquiteto Cascateiro 4

Posted by Roger Leite on novembro 07, 2008

Este post é uma homenagem aos Arquitetos defensores do waterfall/cascata.

Recentemente tive o desprazer de conhecer um arquiteto, é isso mesmo, aquele com certificado e tudo, com direito a broche da Sun em seu terninho. Aliás, certificado é um tema polêmico que eu não tenho uma opinião muito certa e/ou formada… bom, vou deixar esta parte para um próximo post, quem sabe.

Voltando ao assunto, hoje no fretado, comecei a pensar nas semelhanças que um arquiteto de sistemas (certificado que decorou patterns inutéis da Sun) tem com um arquiteto de obras. Só para deixar claro, na tabela abaixo estou usando dois estados: FAIL e Ok. Fail quer dizer que vai dá merda não vai dar certo e não tem jeito, caso queira uma definição mais formal, o wikipédia ajuda, agora se você prefere imagens, o Fail Blog também serve.

Exemplo de FAIL

Exemplo de FAIL

Objetivos Cascateiro De Obras
Colocam as futuras “obras” no papel antes de começar. FAIL OK
Ainda no papel, colocam todas as necessidades do cliente, do início ao fim. FAIL OK
O cliente do Arq. de Obras sabe que depois que começar não pode mudar. FAIL OK
O arquiteto de Obras não define quais tipos de blocos, cimento e ferro a obra vai usar, o Cascateiro sim. FAIL OK

Parei a tabela por aqui pois já dá pra saber que o FAIL tende a infinito né.
Pergunta: o que ambos arquitetos estão fazendo!?!
Resposta educada: Estão fechando o escopo do projeto.

Arquiteto Cascateiro trabalhando ...

Arquiteto Cascateiro trabalhando ...

A resposta acima é uma frase chave pra você ter certeza que vive num projeto waterfall cascateiro. Fechar o escopo do projeto inteiro deve ser muito bom para o arquiteto de obras, já para um sistema, o efeito é contrário. Acredito muito na teoria que desenvolver software não é construir prédios. Livros de renome como Pragmatic Programmer citam isso.

Sei que este tema de construção civil já está batido. Comecei a escrever este post ao mesmo tempo que o Sr. Panachi publicou o anterior, e com a idéia de ficar menos repetitivo, já vou linkar as sugestões dos nossos incríveis leitores:

  • O Diego Carrion (grande peruano! :D ) cita este link, que fala que a engenharia civil também consegue ser ágil em alguns casos.
  • O Witaro, fez um ótimo post “Desenvolvendo software como uma Rock Band” que quebra a barreira da analogia com a engenharia civil. Cara, continue escrevendo, porque a sua visão é muito legal!

Bom, agora que acabou o desabafo, vamos as possíveis soluções. O que fazer com o Arquiteto Cascateiro?

Acho que a primeira coisa seria conscientizá-lo de que ele não é o Oscar Niemeyer e que a primeira versão de seu software nunca será completa de uma vez. Você deve conversar sobre iterações com ele e mostrar que o software deve evoluir conforme o cliente também evolui nas descobertas das suas reais necessidades. Sei que o post já está cheio de links, mas este post do Phillip Calçado, Analista Pedreiro, resume bem o que quero dizer.

Arquiteto, este nome ou termo ou cargo ou seja-lá-o-que-for, é coisa de modelo waterfall/cascata. Numa equipe, não deve haver distinção desta maneira. Todos programam, modelam, configuram, trabalham no Banco de Dados quando necessário, ou seja, ninguém deve exercer um papel único. Papéis únicos, representam Guardiões que defendem somente seus interesses e não trabalham em pró da equipe/cliente/projeto.

O Arquiteto deve programar, colocar a mão na massa, assim como toda a equipe, pois UML, Caso de Uso, Diagrama de Sequência, etc. sempre compilam! Muito diferente na vida real, onde muitas vezes você é obrigado a implementar uma coisa diferente e torta para acompanhar estes documentos cascateiros. Caso você seja obrigado a gerar a documentação fútil acima, pense em algo que seja automatizado após você ter programado e testado, com certeza você será umas cinco vezes mais produtivo.

E por último e não menos importante, a equipe (inclusive o Arquiteto) tem que conhecer o negócio que implementa. Quando se inicia um novo projeto ou até mesmo decidem reestruturar um existente, o arquiteto cascateiro sempre prioriza novas tecnologias e frameworks, o que na maioria das vezes, não é necessário. Novos projetos ou refactoring em existentes, devem ter um único prioritário objetivo: KISS. Com esta prioridade em mente, novas tecnologias e frameworks serão escolhidos naturalmente, e não somente usar porque é a última moda no estilo SunTechDays.

E vocês leitores?! Sofrem ou já sofreram muito com Arquitetos Cascateiros!?!

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Comments

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  1. Diego Carrion sex, 07 nov 2008 15:43:55 UTC

    Todos os dias hahahaha ):

  2. Lucas Ap. Souza sáb, 08 nov 2008 12:38:05 UTC

    Belo post Roger, e se isso conforta vocês eu vivo projetos cascateiros diariamente onde eu trabalho (infelizmente), mas pior que isso é quando o meu “Gerente de Projetos” (Que nojo disso!) diz que o projeto não é cascata porque “nós” fazemos iterações de 3 em 3 meses. Quem foi que disse pra ele que isso não é cascata, na verdade ele tem razão, isso realmente não é uma cascata, é uma cascata iterada… :p

  3. Rodrigo Panachi dom, 09 nov 2008 12:15:32 UTC

    Ótimo post, Roger!

    A característica dominante de um legítimo arquiteto cascateiro é sua falta de experiência, ou seja, só fala e nunca faz nada! É o guardião dos seus interesses (usar aquela tecnologia da moda, modelar todos os diagramas da UML, etc) e não se preocupa com o os interesses da equipe e principalmente do cliente.

  4. [...] “Aí, saindo uma fornada de casos de uso…”, etc. Logo alguém tem a brilhante idéia de “documentar” tudo desde uma simples alteração no CSS do sistema até complexos e [...]

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