O paradoxo: iterativo-incremental x confiança 4

Posted by Rodrigo Panachi on maio 26, 2008

Recentemente trabalhei em uma empresa de pequeno porte tentando implantar (ensinar, vender, disseminar, ou outro termo que caiba aqui) Scrum na tentativa de organizar e agilizar o processo de desenvolvimento do software da empresa, que até o momento só conhecia (e conhece) Waterfall.

As desculpas da empresa para não adotar Scrum (ou outro processo ágil) são todas apoiadas em confiança (ou desconfiança): como confiar num projeto que não tem tudo detalhadamente especificado desde o início? Era comum ouvir: “só isso não vai dar certo”, “precisamos detalhar todas as funcionalidades primeiro”, “não quero chegar lá na frente e ter que mudar alguma coisa hein”, “o cliente não vai querer comprar uma coisa que ele nem sabe o que é”.

Na ocasião, encontrei este artigo falando sobre desenvolvimento iterativo e incremental, e utilizei estas imagens para (tentar) argumentar meu ponto de vista.

Iterativo:

Incremental:

É evidente que ninguém entendeu a mensagem. Para eles, a confiança ainda estava em jogo. Em termos de proteção, o Waterfall ainda garante uma “falsa segurança” à empresa: “estamos entregando apenas o que estava documentado nas especificações”, “a documentação nos protege”.

Bom, tá aí um resumo da minha experiência e tenho certeza que vocês já passaram por algo parecido. Continuamos nos comentários…

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  1. Rodrigo seg, 26 mai 2008 18:31:00 UTC

    PS: O post ficou meio “vago”, mas estou escrevendo “incrementalmente”… hehehe

  2. Humberto seg, 26 mai 2008 18:57:00 UTC

    No Brasil existe a “mentalidade cartorial”, ou seja, só vale o que está escrito. Dizem que isso é herança ibérica. De qualquer forma essa mentalidade pode justificar essa sensação de segurança proporcionada pelos contratos e especificações. As responsabilidades não são intrínsecas, têm que estar detalhadas em algum papel.

  3. Miguel Galves seg, 26 mai 2008 19:45:00 UTC

    O que mais me incomoda nesta visão de “documente TUDO antes de implementar” é que raramente o cliente tem uma noção completa do que ele quer ou precisa. E se ele não tem noção, fica difícil especificar tudo no início, e duas coisas irão acontecer:

    1) a especificação inicial vai ser que nem a cara do analista, e em algum ponto do processo será necessário fazer tudo novamente
    2) o cliente vai descobrir que certas coisas não são como ele imaginava, e e em algum ponto do processo será necessário fazer tudo novamente

    O segundo caso é o que mais me incomoda. Porquê apesar de não conhecermos bem o negócio do cliente, em geral sabemos melhor do que ele o que pode funcionar ou não em software. E ainda assim, ele é quem manda e define design.

    Mas como foi dito em outro post, eu ainda vou trabalhar em uma empresa ideal onde tudo funciona e o café não dá cancer….

  4. Humberto seg, 26 mai 2008 20:46:00 UTC

    Completando o que o Miguel disse, desde os tempos mais primórdios Fred Brooks já constatava que o software é tão vivo que, concluída a dita especificação, nesse exato momento ela já está obsoleta, pois as regras que lhe deram origem já estariam ligeiramente diferentes… e mesmo que a coisa não seja assim tão fluida, todos já se depararam com a seguinte situação: o software está “pronto” e o cliente, ao experimentá-lo, diz que na verdade precisa de outra coisa. Mecanicamente dizemos, “não está na especificação!”, e vence quem falar mais alto.

    Não é que ele esteja errado em “reclamar” do software. O cliente apenas percebeu que pode ir um pouco mais longe agora. Ele não tinha como melhorar a especificação que deu origem ao sistema, mas agora que as coisas estão um pouco mais redondas e alguns problemas foram tirados do campo de visão, ele pode ir mais além com o sistema. Neste momento temos um contrato engessado para atrapalhar. Um contrato que, no máximo, prevê uma taxa de manutenção que a empresa fornecedora do sistema usa de forma mesquinha.

    É um jeito de agir que está profundamente enraizado em nós e nos clientes. Fato é que dificilmente são encontradas pessoas esclarecidas tanto de um lado quanto do outro.

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